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Comunidade científica preocupada com microplásticos em tecidos humanos

2 min. 17.08.2020

Cientistas norte-americanos detetaram microplásticos e nanoplásticos em órgãos e tecidos humanos e consideram a descoberta preocupante, ainda que falte informação sobre os efeitos na saúde.

“Pode encontrar-se plástico a contaminar o ambiente em praticamente todos os locais do globo, e em poucas décadas deixámos de ver o plástico como algo muito benéfico para o considerarmos uma ameaça”, diz Charles Rolsky, que com Varun Kelkar vai apresentar a investigação na reunião da ACS.

“Há provas de que o plástico está a entrar no nosso corpo, mas muito poucos estudos o procuram lá. E neste momento não sabemos se este plástico é apenas um incómodo ou se representa um perigo para a saúde humana”, adiantou o investigador.

Os cientistas definem microplástico como um fragmento de plástico com menos de cinco milímetros de diâmetro. Os nanoplásticos são ainda mais pequenos, com diâmetros inferiores a 0,001 milímetros.

Investigações em animais têm ligado a exposição a microplásticos e nanoplásticos a infertilidade, inflamações e cancro, mas os resultados para a saúde das pessoas ainda são desconhecidos.

Estudos já mostraram que os plásticos podem passar através do trato intestinal dos humanos, mas os dois investigadores, da Universidade do Arizona, quiseram saber se há partículas a acumularem-se nos órgãos humanos, tendo para isso obtido 47 amostras de tecidos corporais, colhidas nomeadamente de pulmões, fígado, baço e rins.

O método que os investigadores usaram permite detetar dezenas de tipos de componentes de plástico dentro dos tecidos humanos, incluindo policarbonatos, tereftalato de polietileno e polietileno. O bisfenol A, utilizado ainda em recipientes para alimentos, apesar das preocupações com a saúde, foi encontrado em todas as 47 amostras.

 

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