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Covid-19: Fenprof denuncia irregularidades nos jardins de infância

3 min. 04.08.2020

Esta terça feira, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) trouxe a publico os resultados de alguns inquéritos, realizados pela própria entidade, que se focam no atual funcionamento dos jardins de infância e as novas dinâmicas impostas pela Covid-19.

Desta forma, a Fenprof anunciou que menos de um quarto dos educadores de infância inquiridos fez teste à covid-19 antes de voltar ao trabalho, segundo os resultados de uma consulta da organização sindical aos profissionais. Dos 483 educadores de infância que responderam a um inquérito ‘online’, apenas 23,2% afirmaram ter sido testados, refere a Fenprof, que considera que “as orientações emanadas pelo Ministério da Saúde chegaram tarde”.

Apesar de 96% terem recebido equipamentos de proteção individual, notou-se uma “evidente discricionariedade” conforme os concelhos. Máscara e gel desinfetante foram a regra, mas menos de 10% dos inquiridos receberam bata, avental ou proteção para os pés.

Isso significou “níveis de proteção e segurança muito diferentes, por vezes bastante mais baixos, o que não se pode aceitar”, considera a federação sindical.

No inquérito verificou-se que na maioria dos casos (63,4%), a desinfeção dos estabelecimentos não foi feita por empresas especializadas, mas pelos trabalhadores não docentes dos agrupamentos de escolas, enquanto em 21% dos casos foram as câmaras municipais a assegurá-la.

As principais decisões foram entregues às câmaras municipais, “que não deviam ter tal responsabilidade”, o que “provocou ansiedade e desconfiança, que explicam que uma parte significativa dos educadores considerasse que os jardins de infância só deveriam ter reaberto em setembro”, considera a Fenprof.

O Ministério da Educação “’empurrou’ para as direções dos agrupamentos a definição de critérios para gerir a situação”, acusa.

A Fenprof exige da tutela respostas para setembro, como onde se vão arranjar espaços para subdividir turmas, como é que se subdivide sem haver mais pessoal e como é que se garantem distâncias mínimas de segurança em refeitórios ou a desinfeção constante de espaços e materiais.

Quer também saber de onde virão os equipamentos de proteção, que alternativas há para as atividades no exterior quando chover.

Quanto ao setor privado, a Fenprof aponta problemas específicos, como os horários de funcionamento mais alargados, que provocam “o aglomerado de crianças no mesmo espaço, no início e no final do dia, sem qualquer respeito pelas regras de distanciamento”, e o número mais reduzido de pessoal docente

“Não podemos aceitar que a mês e meio da abertura do próximo ano letivo ainda existam tantas e tão preocupantes incógnitas relativamente à forma como irão decorrer as atividades na educação pré-escolar”, salienta a federação.

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