pandemia-afeta-mais-a-saude-mental-de-mulheres-e-teletrabalhadores

Notícias

Pandemia afeta mais a saúde mental de mulheres e teletrabalhadores

4 min. 18.04.2020

O questionário “Opinião Social” do Barómetro Covid-19, da Escola Nacional de Saúde Pública teve por objetivo avaliar como se sentes os portugueses em tempos de pandemia.

As conclusões desse mesmo estudo mostram que um quarto dos inquiridos diz sentir-se, ansioso, em baixo, ou triste “todos os dias” ou “quase todos os dias”, sendo a maioria mulheres e pessoas em teletrabalho.

Quase um terço reportou distúrbios de sono, um quarto diz sentir que não consegue fazer tudo o que precisava fazer e 23% confessa estar sempre a pensar na covid-19.

Dos participantes no estudo que reportam sentir-se ansiosos “todos os dias”, 35% são trabalhadores em teletrabalho, 23% suspenderam a sua atividade profissional e apenas 9% está no local de trabalho.

Os investigadores apontam como possível explicação para estas diferenças o facto de as pessoas em teletrabalho poderem estar a experienciar dificuldades em gerir a sua atividade profissional em simultâneo com a vida pessoal e familiar.

Por outro lado, as pessoas que suspenderam a atividade estarão preocupadas com a possível perda de rendimento, refere a coordenadora científica do estudo, Sónia Dias.

“As pessoas que se têm sentido mais ansiosas ou tristes apresentam menores níveis de confiança na capacidade de resposta dos serviços de saúde e também se sentem em maior risco de contrair covid-19”, refere o estudo, que decorreu entre 21 de março e 10 de abril e recolheu 160.157 respostas.

Os idosos são quem se sente agitado, ansioso ou triste com menor frequência, quando comparados com a população entre os 26 e os 65 anos, diz Sónia Dias.

“Em suma, 82% dos respondentes sente pelo menos um dos possíveis efeitos negativos na sua saúde mental, desencadeado pelo período que vivemos”, refere o barómetro, um projeto de investigação que pretende “responder, em tempo útil, aos desafios impostos pela pandemia global”.

Os dados revelam que os inquiridos que pertencem a grupos profissionais em maior risco, como profissionais de saúde, forças de segurança, meios de socorro, operadores de supermercado, não diferem dos restantes” relativamente à frequência com que se sentem agitados, ansiosos, em baixo ou tristes, o que pode ser explicado pelo facto de se sentirem ativas e produtivas durante a pandemia.

O facto de as pessoas não terem apoio para adquirir bens essenciais também parece influenciar a forma como se sentem: cerca de um terço das pessoas nesta situação diz sentir-se ansioso ou em baixo “todos os dias” ou “quase todos os dias”.

Os investigadores também alertam para o possível aumento do consumo de comida calórica, tabaco e álcool. “Uma percentagem de participantes, que nos chama a atenção, revela que aumentaram os comportamentos prejudiciais à sua saúde, dado que 16% admite comer mais doces, gorduras ou comidas mais calóricas e 8% reconhece estar a fumar mais ou a beber mais álcool”, refere Sónia Dias.

Quem adota estes comportamentos reporta sentir-se ansioso com mais frequência. São as mulheres que dizem consumir mais alimentos hipercalóricos, enquanto os homens aproveitam mais o tempo para fazerem coisas de que gostam.

Para lidar melhor com a situação atual, 80% refere o contacto com os familiares e amigos, mesmo que à distância, mais de metade procura manter rotinas e aproveita o tempo para fazer coisas de que gosta. Cerca de 45% diz limitar a quantidade de informação que vê sobre a doença.

“Os nossos resultados mostram que é essencial que se divulguem, de forma clara e simples, estratégias de promoção de comportamentos saudáveis, do bem-estar e da qualidade de vida, nomeadamente na área da alimentação saudável e promoção da atividade física”, defende a investigadora.

1 / 0
Auchan 250
Pub - Ulahlah - 250-1

Diário

famatv-logo

Tudo sobre Famalicão no seu e-mail

Subscreva a nossa newsletter
e acompanhe a atualidade famalicense.