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Aplausos no Eurogrupo para ajuda imediata de 500 mil milhões

3 min. 10.04.2020

O presidente do Eurogrupo fechou ontem à noite um acordo com os ministros das Finanças da União Europeia para desbloquear 540 mil milhões de euros, para relançar a economia no pós-pandemia.

O acordo foi alcançado nas margens do encontro, durante várias horas de negociações, lideradas pelo português Mário Centeno. Uma aproximação de alguns detalhes de última hora permitiu consertar posições para os ministros anunciarem um plano "ousado e ambicioso, para proteger as nossas economias, em resposta a esta ameaça comum", como pretendia Centeno.

O plano foi conseguido através de um compromisso alcançado entre a Alemanha, Espanha, Itália e Países Baixos, que permitiu quebrar o impasse. O encontro a meio caminho permitiu que Itália deixe cair a exigência de que os empréstimos fossem realizados a troco de condição nenhuma. Por outro lado, o ministro holandês, Wopke Hoekstra abra mão da intransigência em relação às condições associadas aos empréstimos do Mecanismo Europeu de Estabilidade.

O dinheiro deste mecanismo, criado no rescaldo da crise financeira de 2012, chegará a troco de condições mais suaves, do que aquelas que Hoekstra vinha a exigir, com um discurso muito criticas pelos países do sul. António Costa chegou mesmo a classificar como "repugnantes" as observações deste ministro holandês.

O Mecanismo Europeu de Estabilidade disponibiliza 240 mil milhões de euros às economias mais expostas ao impacto da pandemia. Itália e Espanha aparecem na linha da frente. Mas, qualquer outro país pode aceder aos empréstimos, com baixíssimas taxas de juro propostas por este fundo.

"O único requisito que eles têm é gastar esse dinheiro em custos relacionados com a saúde em cura e prevenção", afirmou Mário Centeno, esclarecendo que uma vez ultrapassada a crise, os Estados deverão seguir uma estratégia de equilíbrio orçamental, mas sem estarem obrigados a esforços que penalizem a recuperação da economia, durante a recuperação.

Durante a tarde, Centeno tinha dramatizado o discurso e apelado à unidade. "Estamos nisto juntos, todos em confinamento, com baixas a cada hora e sem fim à vista. Todos os dias somos lembrados de que este vírus é cego. Cego com as nossas bandeiras, sexo, cor ou classe social. Não há passageiros de primeira classe. Ou nadamos juntos, ou afundamo-nos juntos", alertou Mário Centeno, considerando que estamos perante "uma verdadeira emergência".

"Isto é global", enfatizou Centeno, numa mensagem emitida a partir de Lisboa, ainda antes do início dos trabalhos, que arrancaram com largas horas de atraso, depois contactar por telefone, vários governos europeus, para tentar desbloquear o impasse.

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