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Covid-19: Portugal visto como "mistério" e a "exceção" na Europa

6 min. 09.04.2020

Os franceses começaram por chamar-lhe o "mistério português". Foi num artigo de opinião da rádio France Inter, no penúltimo dia de março, ainda o número de infetados em Portugal tinha acabado de ultrapassar os 6000 e havia 140 mortes. Na mesma altura, França contabilizava quase 50 mil casos de Covid-19 e mais de 3000 mortes.

É desta forma que começa o trabalho de pesquisa publicado no JN desta quinta-feira, que reúne as diversas opiniões europeias sobre os números da pandemia em Portugal.

"Há um mistério português que tentaremos resolver juntos", lia-se naquele artigo da rádio francesa, assinado pelo jornalista Anthony Bellanger. E o mistério era: enquanto Espanha - na altura com 85 mil casos e mais de 7000 mortes - estava "severamente confinada" e o governo tinha acabado de decretar a cessação de toda a atividade económica não essencial, os portugueses estavam "confinados e os espaços públicos fechados", mas não havia sanções, nem era obrigatório um certificado de deslocação. Mas porquê? "Os portugueses são tão disciplinados que a repressão é inútil", respondia António Costa.

Podia pensar-se que Portugal estava "a caminhar para uma catástrofe", escrevia Bellanger. Mas a verdade é que, mais de uma semana depois, os números portugueses continuam muito abaixo dos números de países vizinhos.

Geografia e turismo: os segredos para o sucesso?

Como se explica então este mistério? Bellanger aponta algumas razões, começando pela questão geográfica: "Portugal é o único país do continente europeu a ter apenas um vizinho, neste caso a Espanha. É, portanto, o único país europeu em que o encerramento antecipado das fronteiras foi eficaz", explica o francês.

Além da geografia, o turismo. "O país vive muito do turismo", escreve o jornalista, justificando assim o facto de Portugal "não ter de enfrentar uma onda de casos importados". "Só tem de gerir um pequeno grupo de visitantes um tanto solitários no meio do inverno".

A terceira explicação é novamente geográfica: por estar no "extremo oeste da Europa", Portugal pôde "ver o futuro". "Ou seja, a epidemia - e a sua fase crescente - começou mais tarde do que em Espanha, França ou Itália", conclui Bellanger.

 

Ou o segredo somos nós, os "portugueses disciplinados"?

O artigo de opinião segue à procura de respostas e o autor lembra que Portugal e França iniciaram o isolamento praticamente ao mesmo tempo, em 13 de março, enquanto os casos de Covid-19 no nosso país "ainda se contavam pelos dedos de duas mãos". Quem tinha razão, afinal, era Costa: "os portugueses são disciplinados", repetiu Bellanger, citando o primeiro-ministro português.

Isto porque em finais de fevereiro já os portugueses começavam a isolar-se, deixavam de ir a restaurantes e bares, já não levavam os filhos à escola. "Como resultado, muitas escolas fecharam ainda antes da decisão do governo por falta de alunos. O mesmo aconteceu com alguns negócios, especialmente nos centros das principais cidades do país: anteciparam a ordem de encerramento por falta de clientes", recorda o francês.

O texto termina com uma nota política: Portugal tem uma "continuidade governativa", algo de que Espanha, por exemplo, não pode "tirar proveito", uma vez que teve quatro eleições legislativas desde 2015. E, ao contrário do país vizinho, os portugueses emergiram "da austeridade muito antes e com sucesso".

Portugal é a "exceção" na Europa?

Dias depois da publicação do texto da France Inter, surgiam outros elogios, não só a partir de França, mas de outros países. O jornal francês "Le Figaro" perguntava, num artigo publicado em 3 de abril, se "Portugal é realmente uma 'exceção' europeia", comparando mais uma vez com a "vizinha Espanha".

"Em comparação com o número de habitantes dos dois países, há uma taxa de mortalidade de 20 mortes por um milhão de habitantes em Portugal, contra quase 2400 mortes por um milhão de habitantes em Espanha, ou 120 vezes mais.

Na Bélgica, a televisão pública RTBF questionava no seu site, em 5 de abril, por que é que "parece que Portugal está a ser poupado" à pandemia. Como resposta, os belgas apontam algumas das razões já lançadas pelos franceses, como a questão geográfica, a "disciplina" dos portugueses, a estabilidade política. E deixam ainda um elogio à "generosidade" relativamente aos imigrantes, que passam a ter "os mesmos direitos" que os portugueses. "Em suma, estão unidos e todos protegerão o vizinho da Covid-19", lê-se no artigo.

Uma questão de "sorte"?

O embaixador do Reino Unido em Portugal, Chris Sainty, disse, em declarações ao portal Portugal Resident, que as qualidades do povo português "permitirão a Portugal vencer a batalha contra o vírus". O diplomata destacou "a dedicação, coragem e resiliência das pessoas no serviço nacional de saúde, nos serviços de emergência e em muitas outras ocupações da linha de frente", bem como a disponibilidade "para ajudar os idosos, os vulneráveis e os necessitados".

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