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Desporto

“Fomos os mentores da continuidade do FC Joane”

6 min. 10.06.2020

Não se pode falar do Grupo Desportivo (GD) de Joane e não mencionar o nome de Custódio Ribeiro. Um dos fundadores do atual clube e sócio número um do emblema joanense, o antigo presidente e os restantes quatro fundadores decidiram criar um novo formato na equipa da vila de Joane. “Começamos a pensar na criação do GD Joane de forma a congregar várias modalidades dentro de um clube que existia, o Futebol Clube (FC) de Joane”, começou por revelar em entrevista ao OPINIÃO SPORT.

Com o ano de fundação remetido para 1930, o FC Joane foi criado, entre outros, pelo pai de Custódio Ribeiro. Em 1969, depois de regressar da Guiné, a paixão do futebol puxou por ele e levou-o à criação do GD Joane. “Houve um grupo de joanenses, o Padre Benjamim Salgado, o Dr. Artur Melo, o Artur Mesquita, Joaquim Martins e eu que nos juntamos para dar um nome ao clube. Na altura, o Padre Benjamim Salgado era uma figura preponderante a nível famalicense e nacional. Então, a palavra do pároco era como a palavra da salvação. Então, disse: “vamos criar um grupo desportivo de Joane para tirar a ideia do futebol e fazer um clube mais diversificado e criar mais modalidades””, revelou, indicando que o GD Joane, no passado, já teve pesca desportiva, atletismo, futebol feminino e masculino, entre outras. “Fomos os mentores da continuidade do FC Joane”, completou.

“Na altura, tinha a mania que era jogador, presidente, treinador. Fazia tudo”, divulgou. Nessa altura, o clube começou por disputar a FNAT (antiga INATEL), mas houve um fator que impediu o progresso da equipa e Custódio Ribeiro, juntamente com Joaquim Martins, tiveram de procurar um novo campo para disputarem jogos. “Corremos quase a freguesia inteira para verificar se tínhamos um campo com 90x45 metros e tivemos muitas dificuldades. Então, encontramos este terreno, que hoje em dia é do GD Joane. Não tinha 90x45, mas 80x40. Contudo, fomos conseguindo aumentar o campo. Tirávamos um metro hoje, um metro noutro dia, aos terrenos à beira e conseguimos as medidas”, admitiu.

Na altura da criação do GD Joane houve logo uma decisão importante a ser tomada. Qual seria a cor do equipamento. Ora, para Custódio Ribeiro a opção não era o vermelho, mas a palavra do Padre Benjamim Salgada falou mais alto. “O Padre Benjamim Salgado disse que íamos ter a mesma cor do Arsenal de Braga. Então, ainda tentei, ao longo dos anos que estive no Joane, meter um azul lá pelo meio, mas como a palavra do padre era sagrada, não houve volta a dar”, aludiu.

O efeito desportivo da decisão da mudança do nome e a boa gestão por parte dos dirigentes na altura, transportou o GD Joane para patamares altos. O clube chegou à II Divisão Nacional e só uma reformulação do campeonato impediu que o emblema joanense passasse mais tempo no segundo escalão do futebol português.

Para Custódio Ribeiro, o espírito vivido no GD Joane sempre foi “muito forte” e não atribui o sucesso apenas às pessoas que estavam a comandar o clube.  O antigo presidente recorda com carinho um grupo de mulheres que trabalhava em prol do GD Joane e que não deixava faltar nada a ninguém.

Para além de fazer parte da lista dos fundadores, Custódio Ribeiro tem o privilégio de ser o sócio número um do clube, mas revelou que, na teoria, não devia ser assim. “Ser sócio número um do GD Joane é um bocado mentira porque devia de o meu pai. Ele devia de ser o número um. Depois fiquei com esse título e hoje, o meu filho é o número dois”, divulgou. “Numa reunião de direção, quando o meu pai faleceu, e como fazia parte do GD Joane, pedi autorização para que o Miguel ficasse com o número de sócio do avô. Depois, em assembleia geral, foi aprovado o sócio número dois ao meu filho. Os meus filhos, que são gémeos, são associados do GD Joane desde o dia que nasceram”, completou. Aliás, a paixão pelo futebol e pelo emblema joanense ficou sempre presente na família e Custódio Ribeiro recordou que a primeira equipa de iniciados foi criada para que o filho pudesse jogar futebol.

O passado do GD Joane deixa-o orgulhoso e o futuro deixa-o descansado. “Vou fazer uma menção ao presidente atual. O Custódio quando entrou no GD Joane não percebia muito de futebol. Agora, já se safa bem. Teve a coragem e é um bom gestor. Tem de ser ajudado e peço que ele dê continuidade ao belo trabalho que está a fazer à frente do GD Joane”, complementou. Para isso, contribuiu a “boa gestão” feita pela atual líder. “Tenho a certeza que ele não dá o passo maior que a perna. Tentar jogar com os orçamentos que tem. Tiro-lhe o chapéu e tenho muito admiração por ele. O Batista é um bom elemento do GD Joane”, prosseguiu.

Por fim, o fundador do clube deixou uma mensagem de esperança relativamente ao futuro do GD Joane. “Que haja continuidade. Quem o viu pequenino e vê como ele está agora e sendo sua propriedade, acho que é invejável para qualquer clube adversário. É um estímulo servir esta casa”, finalizou

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